Clientes,
Segue abaixo um resumo do Workshop que a equipe da XP apresentou no seu ultimo evento a EXPERT 2014:
Workshop: O que pensam os melhores gestores de fundos sobre 2014?
Palestrante: Gustavo Pires
Convidados:
· João Scandiuzzi - Estrategista Chefe BTG Pactual
· Carlos Eduardo Amaral - Gestor Opus Equity Hedge
· Milton Baggio - Co-gestor Opportunity Long Biased, Opportunity Selection e Opportunity Equity Hedge
Resumo por: Carolina Camões
Perguntas e respostas:
ESTADOS UNIDOS: Expectativa exagerada de crescimento?
BTG Pactual
O inverno rigoroso que atingiu muitas regiões deprimiu a atividade econômica através de diversos canais. Mas eles não acham que esse foi o único fator de redução da atividade. Outro fator importante foi a redução de acumulação de estoque.
Não estão vendo, entretanto, nenhum fator estrutural para desaceleração da economia americana, acreditam inclusive que o nível de endividamento das famílias já reduziu bastante. Além disso, a alta do preço dos imóveis melhora a renda familiar e a alta da bolsa implica em maior crescimento na indústria, deixando os EUA numa situação mais confortável. Até o ajuste fiscal que nesse ano está menos forte (possuíam um déficit de 10% do PIB em 2009 e hoje esta em torno de 3% do PIB) tem ajudado na margem deixando de tirar da demanda um pouco mais de 1 ponto percentual do PIB.
Apesar do numero muito ruim de PIB no primeiro Tri se tem números bons de geração de emprego. Para o Segundo tri eles esperam um crescimento de 3,4% do PIB.
Para a economia americana voltar a crescer, vai surgir uma adequação a ser feita pelo lado financeiro. A surpresa desse ano é quão baixa estão as curvas de juros mais longas dos EUA. As promessas do FED de elevar os juros no máximo 1% a.a. e bem vagarosamente está de fato sendo vista o que colabora para essa taxas baixas, mas a filosofia pode mudar a medida que a inflação comece a subir mais (Acima de 2%).
Posição dos fundos do Pactual: Procurado fazer mais posições em credito corporativo externo, até credito de empresas brasileiras no mercado externo.
APAGÃO: Quais os principais impactos e o que ainda não está no preço dos ativos?
Opportunity
O tema é uma discussão muito técnica e quando o Oportunity vê casos assim trazem consultorias para ajudar. Nesse caso específico contrataram a PSR (eles que fizeram a metodologia que é usada pelo sistema brasileiro de hidrelétricas). Segundo a consultoria o mais prudente seria começar com um corte pequeno todo mês a partir de agora. Entretanto, o que acreditam é que o governo irá comprar o risco de não fazer esse racionamento agora, e aguarda para ver se chove. Caso a chuva não venha, é provável que perto das eleições precisem fazer racionamento em níveis bem mais altos do que seria feito se dividido em vários meses.
Mas já não está ocorrendo um “racionamento” em SP?
Em SP o que está sendo feito é mais na parte de água do que de energia. Como o preço da energia ficou muito alto, algumas industrias reduziram a demanda para vender energia contratada, em vez de produzir.
Conforme aprendido no racionamento de 2001, as empresas que trabalham no setor elétrico agora preveem no contrato situações de racionamento o que reduz os efeitos de primeira ordem. Sendo assim está no radar dos investidores pouco impacto para empresas do setor.
E por mais que seja negativo para uma empresa ou outra, um racionamento poderia implicar numa alternância de poder, o que impactaria positivamente o mercado.
IBOVESPA: Recente alta fundamentada ou técnica?
Opus
Apesar do problema atual da perspectiva do binômio crescimento / inflação, o mercado de ações é de longuíssimo prazo e algumas pessoas começaram a se posicionar.
Outros países da América Latina que estavam recebendo mais atenção do que o Brasil, como o México por exemplo, também já estão perdendo um pouco de atractividade.
Os 3 principais setores de alta da bolsa brasileira foram: Petrobras, energia e utilities. Acreditam que isso foi impulsionado maioritariamente por um fator técnico, mas o fator fundamentalista também teve uma parcela de contribuição.
Os índices colapsaram e o mercado começou a colocar no preço uma alternância de poder. Hoje a sensação da casa é de já estar no preço essa alternância. Sendo assim, estão com uma posição muito mais neutra para vendida na parte direcional, e voltaram a ficar underweight nos papeis tipo Petrobrás.
A politica do fundo Equity Hedge tem sido tentar manter o risco um pouco mais baixo.
PETROBRAS: Crise Institucional vs. Ajuste dos combustíveis
Opportunity
Acham que a empresa apesar de tudo tem um técnico muito bom. Entendem que, devido ao lado político, existe muita restrição e não têm carta branca para fazer o que quiserem.
Acham que, de certa maneira, o que existe por trás do questionamento de Pasadena é uma vontade da população de mudar. Eles vêm valores muito diferentes para Petrobrás de acordo com o cenário político. Os investimento ao longo do tempo deve melhorar.
Não têm esperança de que haja um reajuste tão cedo da gasolina, mas que, mesmo mantendo o governo atual, terão reajustes sim. Mas provavelmente apenas repassando a inflação, sem melhora no cenário da empresa. Hoje o Opportunity tem posição em Petrobrás, mas é pequena, menor do que no índice.
ELEIÇÕES 2014: O que podemos esperar?
BTG Pactual
Para a eleição desse ano é importante não é olhar para a pesquisa de intenção de voto e sim para pesquisa de avaliação do governo. Antes, 65% da população avaliava o atual governo entre ótimo e bom, hoje está entre 35% e 42%.
É importante olhar que é uma eleição contra um reeleição, a presidente atual sempre terá uma posição de destaque. O caminho mais natural seria ela permanecer no poder.
Eles ainda vêm a presidente com uma chance melhor, mas existem muitas incertezas (problemas de energia elétrica, problema durante a copa.. etc).
A eleição não está dada, mas ela tem vantagens sim.
O BTG tem visto mais valor nas estratégias de Long and Short e crédito, principalmente no exterior.
TÁTICO: Quais estratégias de proteção para ano recheado de incertezas
Opus
Durante esse ano eles utilizaram um percentual do orçamento de risco bem controlado: de 20% a 30% do limite total do fundo.
É difícil de encontrar uma gama extensa de papeis que sejam totalmente independente de viradas de cambio abruptas e de questões políticas.
Não estão olhando tanto para correlações passada, pois acham que as viradas desse ano podem levar a novas correlações.
Como os preços de volatilidade estão baixos em relação à vol histórica do Ibovespa, fica mais barato fazer apostas via derivativos. Por isso, eles acham interessante ficar comprados via índice futuro.