Clientes e Investidores,
Segue o relatório matinal da equipe do Bradesco:
Expectativas para as principais variáveis econômicas seguiram praticamente estáveis na última semana
As expectativas para as principais variáveis macroeconômicas permaneceram praticamente inalteradas na última semana, destacando as calibragens do IPCA deste ano para cima e da taxa Selic de 2015 para baixo, conforme apontado pelo Relatório Focus − divulgado hoje pelo Banco Central, com estimativas coletadas até o dia 23 de maio. A mediana das expectativas para o IPCA avançou de 6,43% para 6,47% neste ano, e seguiu em 6,00% para 2015. As estimativas de crescimento do PIB para 2014 foram ajustadas para cima, de 1,62% para 1,63%, e para baixo, de 2,00% para 1,96%, para 2015. Em relação à taxa de juros, a mediana das projeções para a taxa Selic permaneceu em 11,25% para este ano e caiu de 12,25% para 12,00% para o próximo. Por fim, para a taxa de câmbio, as estimativas continuaram em R$/US$ 2,45 para o final de 2014 e em R$/US$ 2,51 para o final de 2015.
Destaques da semana
Reunião do Copom e divulgação do PIB do primeiro trimestre serão os destaques da agenda doméstica nesta semana
A desaceleração recente da inflação ao consumidor e os dados mais fracos de atividade econômica no País deverão levar o Banco Central a interromper o ciclo de aperto monetário, em decisão a ser anunciada nesta quarta-feira. Dado que a autoridade monetária já realizou um ajuste expressivo na taxa Selic desde abril de 2013, acreditamos que os juros serão mantidos em 11%, ao menos para avaliar o efeito do aumento de 3,75 p.p. empreendido até o momento sobre a inflação e a atividade econômica. Nesse sentido, a divulgação do PIB referente ao primeiro trimestre, na sexta-feira, deverá confirmar nossa expectativa de desaceleração da economia brasileira no período – projetamos crescimento de 0,2% em relação ao último trimestre de 2013. No entanto, mais importante que o resultado em si, a revisão na série histórica será o destaque dessa divulgação. A agenda desta semana conta ainda com o anúncio das sondagens da FGV de maio: na terça-feira serão conhecidas as sondagens do comércio e da construção e na quarta, da indústria e dos serviços. Por fim, serão divulgadas também as notas à imprensa de operações de crédito e de política fiscal, na quinta e sexta-feira, respectivamente. No exterior, após semana carregada de indicadores, as atenções estarão concentradas nos dados de atividade norte-americanos. Na terça-feira, serão conhecidos os índices industriais regionais do Fed de Richmond e Dallas, além da confiança do consumidor, apurada pelo Conference Board – todos referentes a maio. Além disso, na quinta será divulgada nova prévia do PIB do primeiro trimestre e, na sexta, o índice dos gerentes de compra de Chicago e de confiança da Universidade de Michigan. Finalmente, na Área do Euro destacamos a reunião de Cúpula dos Líderes da União Europeia, que acontecerá entre hoje e amanhã, e os dados de confiança do consumidor e sentimento econômico de maio, que serão anunciados na quarta-feira.
Setor Externo
- BC: déficit em transações correntes se acentuou em abril reagindo à apreciação cambial
O déficit externo brasileiro se acentuou em abril, chegando a US$ 8,3 bilhões, ante saldo negativo de US$ 6,2 bilhões registrado em março. Segundo os dados contidos na nota à imprensa do setor externo, divulgada na última sexta-feira pelo Banco Central, maiores despesas com remessas de lucros e dividendos e viagens internacionais justificaram o avanço do déficit no período. Nesse sentido, chama atenção a intensificação do déficit de serviços e rendas se compararmos não só com o dado de março de 2014, mas principalmente com o mesmo mês de 2013. É fato que o déficit externo de abril de 2014 foi muito próximo ao de abril de 2013 (US$ 8,2 bilhões), porém a sua composição é bastante distinta, pois em abril deste ano as contas de serviços e rendas chegaram ao déficit de US$ 8,9 bilhões enquanto que em abril de 2013 o saldo negativo foi de US$ 7,5 bilhões. Ou seja, trata-se de uma acentuação importante do déficit de serviços e rendas que, em nossa visão, já pode ser indício de que a apreciação cambial dos últimos meses já começou a exibir efeitos (pois eleva tanto o rendimento em dólar das famílias como o lucro em dólar das empresas, comparando com meses atrás quando o câmbio chegou atingir a cotação de R$/US$ 2,40). Em 12 meses, com isso, o déficit em transações correntes acumula quase US$ 82 bilhões, ou 3,65% do PIB. Além disso, a conta financeira revelou que a entrada de investimentos estrangeiros diretos ainda segue robusta (US$ 5,2 bilhões em abril e parcial de maio sugere um novo resultado próximo de US$ 5 bilhões), confirmando nossa projeção de US$ 60 bilhões para 2014. Porém, as entradas de portfólio mostraram importante queda. Ainda assim, apesar do recuo do influxo de renda fixa, o balanço de pagamentos foi superavitário em US$ 1,8 bilhão. Isso porque a rolagem da dívida externa privada subiu de forma importante (para 232% em abril contra 173% em março), tendo em vista o forte avanço das captações externas no mês passado.
Internacional
- Alemanha: a despeito das tensões na Ucrânia, expectativa para a economia alemã subiu em maio
Os consumidores alemães continuaram otimistas em relação à economia do país no último mês, conforme aponta pesquisa do instituto GfK. O indicador de confiança do consumidor não sofreu alteração ante a sua leitura anterior, permanecendo no patamar de 8,5 pontos em maio. A despeito da crise na Ucrânia, a expectativa para o consumo avançou ligeiramente na margem, reforçando um melhor cenário para a economia. Em sentido contrário, a expectativa para a renda devolveu os ganhos observados nas leituras anteriores. Ainda assim, o indicador segue em um patamar elevado (47,8 pontos), já que se mantém 14 pontos acima do resultado no ano anterior. Por fim, a pesquisa projeta ainda a manutenção do indicador no mesmo patamar em junho, reforçando a perspectiva de que o consumo continuará sendo um impulso importante para o crescimento da economia alemã ao longo deste ano.
Tendências de mercado
A maioria das bolsas asiáticas encerrou o primeiro pregão da semana em alta. Declarações do primeiro ministro chinês na sexta-feira, garantindo a introdução de mais medidas de estímulos para estabilizar a economia do país, impulsionaram os mercados da região. Na Europa, o discurso do presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, reforçando a possibilidade de novo corte de juros na próxima reunião da instituição, e o sucesso da eleição presidencial na Ucrânia favorecem as bolsas locais. Os mercados norte-americanos, por sua vez, estão fechados por conta de um feriado nacional.
O clima mais favorável no exterior valoriza a cotação da maioria das moedas frente ao dólar, movimento que deve ser acompanhado pelo real. O resultado das eleições da Ucrânia alivia os riscos relacionados ao fornecimento de petróleo, o que enfraquece sua cotação nesta manhã. Por outro lado, as perspectivas de novos estímulos na China impulsionam os preços das commodities metálicas, em especial o cobre. No Brasil, o mercado de juros futuros deve ter o volume de negócios reduzido, em função do feriado nos EUA e da ausência de divulgação de indicadores na agenda doméstica, à espera do anúncio da decisão do Copom (na 4ªf) e do resultado do PIB do primeiro trimestre (na 6ªf).
Octavio de Barros
Diretor de Pesquisas e Estudos Econômicos - BRADESCO
Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos