quinta-feira, 15 de maio de 2014

BRADESCO - BOLETIM DIÁRIO MATINAL

Investidores,

Segue o boletim matinal de hoje do Bradesco:

Forte desaceleração da inflação dos produtos agrícolas no atacado explicou resultado do IGP-10 de maio

O IGP-10 de maio exibiu alta de 0,13%, sucedendo inflação de 1,19% em abril, conforme divulgado há pouco pela FGV. O resultado refletiu a desaceleração da inflação no atacado, em especial dos produtos agrícolas. O IPA agrícola recuou de uma alta de 3,84% em abril para 0,42% neste mês, com destaque para os produtos in natura, que passaram de 15,79% para 1,18%. Adicionalmente, o IPA industrial também recuou de 0,50% para -0,47%, influenciado pela deflação de 5,94% de minério de ferro. Para os próximos meses, projetamos continuidade da desaceleração dos preços no atacado, tanto dos produtos industriais como agrícolas.

Atividade


- Serasa Experian: atividade do comércio registrou alta em abril, após queda observada no mês anterior 
O Indicador de Atividade do Comércio registrou alta de 1,6% na passagem de março para abril, descontados os efeitos sazonais, conforme divulgado ontem pela Serasa Experian. O resultado sucede uma queda de 3,2% em março e estabilidade em fevereiro (dados revisados). Na comparação interanual, houve aumento de 5,4%. O crescimento é consequência da aceleração de todos os segmentos no período, com destaque para lojas de material de construção (alta de 13,5%) e veículos, motos e peças (avanço de 9,3%). Apesar da devolução parcial da queda verificada no mês anterior, acreditamos na desaceleração do consumo nos próximos meses.


- Secovi: vendas e lançamentos de imóveis em São Paulo se recuperaram em março, mas devem apresentar desempenho mais moderado neste ano
As vendas de imóveis novos residenciais na cidade de São Paulo apontaram recuo de 8,2% em março ante o mês anterior, já descontados os efeitos sazonais. Em relação ao mesmo mês do ano passado, as vendas recuaram em 57,3%, somando 1.744 unidades residenciais novas vendidas, ante 4.087 unidades em março de 2013, segundo dados divulgados ontem pelo Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP). Foram lançadas 2.555 unidades, aumento de 24,7% ante o mês anterior, descontada a sazonalidade, conforme dados da Embraesp (Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio). Ante março do ano passado, os lançamentos tiveram variação negativa de 10,2%. O destaque foi o segmento de 2 dormitórios na cidade de São Paulo, com 730 unidades comercializadas e participação de 41,9% no total.

Setor Externo


- BC: segunda semana de maio gerou saldo negativo no fluxo cambial de US$ 2,510 bilhões 
A segunda semana do mês, compreendida entre os dias 5 e 9, gerou déficit de US$ 2,510 bilhões no saldo do fluxo cambial, conforme os dados divulgados ontem pelo Banco Central. Esse resultado foi consequência do déficit financeiro, de US$ 2,073 bilhões. Para tanto, as saídas de moeda estrangeira somaram US$ 15,244 bilhões, valor superior às entradas de capital, de US$ 13,172 bilhões. Embora o déficit de US$ 437 milhões na conta comercial tenha sido menos expressivo, também contribuiu para o déficit no saldo total. As contratações no câmbio de exportações somaram US$ 4,465 bilhões, enquanto o câmbio contratado de importações registrou US$ 4,903 bilhões no período. Na mesma direção, no acumulado do mês, visto que os déficits financeiro e comercial somam, respectivamente, US$ 1,519 bilhão e US$ 218 milhões, o saldo do movimento de câmbio é negativo em US$ 1,737 bilhão. No ano, incentivado principalmente pelos aumentos nos contratos de câmbio de exportação (US$ 2,522 bilhões)  e contando com o superávit financeiro  (US$ 582 milhões), o saldo  do fluxo cambial é positivo e registra US$ 3,104 bilhões.

Internacional 


- Área do Euro: surpresa negativa com o PIB da Área do Euro no primeiro trimestre aumenta probabilidade de novos estímulos monetários
O PIB consolidado da Área do Euro avançou 0,2% entre o primeiro trimestre e os três últimos meses de 2013. O resultado sucedeu alta de mesma magnitude no trimestre anterior, e ficou abaixo das expectativas, que projetavam crescimento de 0,4%. A surpresa negativa ficou por conta da França e Itália, que exibiram estabilidade e queda de 0,1% dos seus PIBs, respectivamente. Por outro lado, a Alemanha registrou  desempenho mais forte, com crescimento de 0,8% em relação ao trimestre anterior. No entanto, a abertura do resultado traz um comportamento menos favorável, já que o PIB alemão foi beneficiado por fatores excepcionais, como o inverno mais ameno e a formação de estoques, e a economia francesa não teve um desempenho ainda pior também em função da formação de estoques. Outros países, como Portugal e Holanda, também tiveram resultados decepcionantes, com quedas de 0,7% e 1,4% dos PIBs, nessa ordem. De todo modo, ainda que projetemos que a economia europeia deva manter o ritmo de recuperação ao longo do ano, como apontam os indicadores coincidentes de atividade já divulgados para o segundo trimestre, o resultado divulgado hoje praticamente garante que o Banco Central Europeu irá adotar novas medidas de estímulo monetário em sua próxima reunião. Nesse sentido, acreditamos que a instituição deva decidir por novo corte de juros de 0,15% na taxa básica e na taxa de depósitos.

- Japão: PIB do primeiro trimestre surpreendeu positivamente 
O crescimento da economia japonesa no primeiro trimestre foi de 5,9% ante o período anterior, em termos anualizados e já descontados os efeitos sazonais. Esse resultado, que marca uma sequência de cinco altas trimestrais consecutivas, superou as expectativas do mercado (alta de 4,1%) e também o desempenho do período entre outubro e dezembro, de 0,3% na mesma métrica. Os destaques ficaram por conta dos desempenhos do consumo das famílias (que acelerou de alta de 1,5% no quarto trimestre para outra de 8,5% neste começo de ano) e os investimentos privados (de uma alta anterior de 5,8% para um avanço de 21,0%). A demanda externa, por sua vez, contribuiu negativamente, subtraindo 1,1 p.p. do resultado agregado, refletindo a expansão das importações em ritmo superior ao avanço das vendas externas. Para o segundo trimestre do ano, espera-se uma desaceleração, reflexo do impacto da alta de impostos sobre o consumo, implementada em abril. Ainda assim, o nosso cenário é de aceleração do crescimento japonês em 2014.


Tendências de mercado


As bolsas asiáticas encerraram o pregão desta quinta-feira em direções divergentes. Enquanto a chinesa fechou os negócios em alta, a valorização do iene e resultados corporativos desfavoráveis puxaram o mercado japonês para baixo. As bolsas europeias e os índices futuros em Nova York operam próximos à estabilidade, com ligeiras quedas.

O dólar ganha valor frente a maioria das moedas. Destaque para a depreciação do euro, após a surpresa negativa com o PIB da Área do Euro aumentar as chances de novo estímulo monetário na região. As commodities também operam em queda, especialmente o níquel e o petróleo. No Brasil, o real deve acompanhar o movimento de desvalorização das moedas internacionais, enquanto o mercado futuro de juros deve focar as atenções no resultado do IGP-10 e da Pesquisa Mensal do Comércio, que será divulgada pelo IBGE às 9 horas.

Octavio de Barros 
Diretor de Pesquisas e Estudos Econômicos - BRADESCO 
Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos