quarta-feira, 21 de maio de 2014

BRADESCO - BOLETIM DIÁRIO MATINAL

Clientes,

Segue o excelente relatório matinal do Bradesco:

Ata da última reunião do Banco da Inglaterra e desempenho das vendas no varejo em abril sugerem proximidade da retirada de estímulos monetários no país

O Bank of England (BoE) divulgou hoje a ata de seu último encontro de política monetária. Essa foi a primeira reunião após a taxa de desemprego atingir o patamar mínimo sugerido pela instituição em sua sinalização anterior. Nessa segunda fase de sinalização, o BoE ampliou o conceito de excesso de ociosidade na economia britânica, levando em conta não só a taxa de desemprego, mas também o nível de utilização da capacidade instalada e outros indicadores do mercado de trabalho. Ainda assim, o documento trouxe um tom mais duro em relação à necessidade de começar a subir os juros. Segundo alguns membros do comitê, “a decisão de política monetária se tornou mais equilibrada” na direção de reduzir os estímulos. O texto voltou a sinalizar que, quando for necessário, o aumento dos juros será de forma bastante gradual e as taxa deverão permanecer abaixo de sua média história ainda por um longo período. No entanto, defendeu que quanto mais gradual for esse ajuste, mais cedo terão que iniciar o aumento de juros. Por outro lado, ainda há consenso sobre a necessidade de se observar maior redução do excesso de ociosidade na economia antes de apertar a política monetária. Nesse sentido, os membros do comitê defenderam que a recuperação da atividade está menos frágil. De modo geral, portanto, a comunicação do BoE parece tender cada vez mais para o aumento de juros, que deve ter início ainda no primeiro trimestre de 2015. Também hoje foi divulgado o resultado das vendas no varejo em abril, reforçando a avaliação favorável do banco central sobre o desempenho da atividade no país. Segundo os dados, o comércio varejista cresceu 1,3% no último mês, em relação a março, superando as expectativas, que projetavam alta de 0,4%. O resultado foi influenciado pelas vendas de páscoa e pelo clima mais favorável durante o período.  

Atividade 


- IBGE: desaceleração do setor de serviços reforça nossa expectativa de moderação do PIB no primeiro trimestre 


A receita nominal do setor de serviços cresceu 6,8% em março, na comparação com o mesmo período do no passado, conforme divulgado ontem na Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) do IBGE. O resultado sucede alta de 9,2% e 10,1% (dado revisado) em janeiro e fevereiro, respectivamente. Dessa forma, o setor acumula crescimento de 8,7% nos últimos 12 meses. Analisando de forma desagregada, todos os segmentos registraram desaceleração em relação a fevereiro, com destaque para transportes, que exibiu aumento de 7% (frente à expansão de 14,7% verificada no mês anterior) na comparação interanual e outros serviços e informação e comunicação, que apresentaram quedas de 3,2 p.p. e 2,3 p.p., passando para 3,3% e 4,4%, respectivamente, na mesma base de comparação. Por conta dessas desacelerações mencionadas, que entram na contabilização do PIB, reforçamos nossa expectativa de moderação da atividade econômica no primeiro trimestre deste ano.


- Abramat: queda das vendas de material de construção em abril sugere moderação da atividade no setor neste segundo trimestre

Reforçando nossa expectativa de continuidade da desaceleração da atividade econômica neste segundo trimestre do ano, as vendas da indústria da construção mostraram queda de 9,1% em abril de 2014 na comparação com o mesmo período do ano passado, segundo os dados divulgados ontem pela Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat). Com isso, no ano, temos uma retração de 2%. Esse desempenho reflete a perda de ritmo das construções residenciais, que deve persistir no restante do ano, haja vista a moderação nos lançamentos observada recentemente. Além disso, diante da proximidade da Copa do Mundo, deveremos observar uma moderação nas obras de infraestrutura.

- Inda: queda das vendas de aço em abril, combinada com aumento de estoques, sugere desaceleração da produção nos próximos meses

Refletindo a desaceleração da produção industrial neste ano e o aumento dos estoques em diversos segmentos, deveremos observar uma acomodação da produção de aço nos próximos meses. Reforçam essa perspectiva os dados divulgados ontem pelo Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda). As compras dos distribuidores de aço nas siderúrgicas mostraram recuo interanual de 7,5% em abril. Na mesma direção, as vendas da rede de distribuição apresentaram retração de 6,8% nessa base de comparação. Com isso, revertendo uma tendência de queda que vinha ocorrendo desde final do ano passado, o giro de estoques chegou a 2,7 meses no mês passado, ante 2,6 meses em março, levando o volume estocado crescer 1,4% em relação a abril de 2013. Por fim, vale mencionar que as importações avançaram 9,7% frente abril de 2013. Dessa forma, as vendas continuam enfraquecidas principalmente pelo recuo de produção do setor automotivo, enquanto que as importações continuaram crescendo. Para os próximos meses não esperamos retomada consistente das vendas de aço, por conta do fraco desempenho das vendas do setor automotivo e da lenta retomada da construção residencial.
Internacional 


- Japão: BoJ manteve a política monetária inalterada conforme esperado 


O Bank of Japan (BoJ) manteve a taxa de juros em 0,10% e seu programa de compra de ativos inalterado em seu encontro de hoje. A instituição também não alterou sua percepção em relação ao desempenho da economia japonesa e à inflação. De um lado, continuou defendendo a tendência de retomada gradual da economia, a despeito dos efeitos do aumento de impostos sobre a atividade no curto prazo. De outro, espera que expurgados os efeitos do aumento de impostos, a inflação mantenha alta em torno de 1,25% por certo tempo. Apesar da visão ainda favorável do banco central do Japão, acreditamos que em meados do ano a instituição terá que reavaliar suas projeções de crescimento do PIB e da inflação, o que o levará a adotar novos estímulos monetários.

- EUA: discurso de membro do FED reforçou a perspectiva de que taxa de juros subirá lentamente 


Diante dos ajustes recentes das expectativas em relação à condução da política monetária nos EUA, William Dudley, membro do FED, em discurso realizado ontem, reforçou a perspectiva de que a subida da taxa de juros acontecerá lentamente, mesmo que a inflação ultrapasse uma alta de 2%.  Alinhado com a presidente do FED, Janet Yellen, ele prevê algum tempo entre o fim do programa mensal de compras de bônus e elevação de juros Ressaltou ainda que o aperto monetário dependerá do comportamento da economia dos Estados Unidos, que ainda está permeada de incertezas. Além disso, afirmou que a taxa de juros deve parar de subir quando atingir níveis bem abaixo do nível médio de 4% que tem sido observado historicamente quando a inflação estava em torno de 2%. Por outro lado, o presidente do Fed da Filadélfia, Charles Plosser, alertou que o aumento dos juros pode ocorrer antes do esperado, em discurso também realizado ontem. Essa expectativa resulta da leitura de que a taxa de desemprego recuará para abaixo de 6,2% até o fim deste ano, que o crescimento do PIB norte-americano será próximo de 3% neste ano e que os fundamentos do setor imobiliário seguem sólidos.


- China: bom desempenho do mercado de trabalho deve manter governo mais tolerante em relação à desaceleração da atividade econômica

Em linha com a sinalização recente do governo chinês, as condições do mercado de trabalho serão relevantes para a adoção de medidas de suporte à economia no restante do ano. Entre janeiro e abril deste ano, foram criados 4,73 milhões novos empregos , favorecidos pelo setor de serviços. Assim, enquanto o mercado de trabalho seguir saudável, acreditamos que o governo continuará relutante em anunciar medidas de curto prazo. Essa leitura reitera nossa expectativa de que o PIB chinês crescerá 7% neste ano, ficando assim abaixo da meta de crescimento de 7,5% estipulada no começo deste ano.

Tendências de mercado 


As bolsas na Ásia fecharam em direções distintas, com o mercado chinês em alta e o japonês em queda, refletindo a valorização do iene. As preocupações com a economia chinesa, contudo, seguem presentes haja vista a revisão da avaliação do setor imobiliário, de estável para negativa, feita por uma agência de rating. Na Europa as bolsas operam em leve alta, mesma direção apontada pelos índices futuros norte-americanos. Com isso, a bolsa no Brasil tende a operar no campo positivo.


O mercado de moedas tem como movimento central a valorização do dólar, especialmente frente ao euro. Ainda assim, a libra ganha valor neste momento, por conta da leitura da Ata do Banco da Inglaterra e pelo bom resultado apresentado pelas vendas no varejo do país em abril.  Entre as commodities, destaque para a alta do preço do petróleo e da maioria das agrícolas, com exceção para açúcar e café, cujas cotações recuam. Por fim, para o mercado brasileiro, deveremos observar alguma depreciação do real e a curva de juros futuro deverá reagir aos resultados do IPCA-15 de maio e do Caged de abril, que serão conhecidos às 9h e 14h30, respectivamente. Além disso, cabe lembrar que hoje teremos a divulgação da Ata do Fed e a presidente do FED, Janet Yellen, discursará.

Octavio de Barros 

Diretor de Pesquisas e Estudos Econômicos - BRADESCO 
Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos