Investidores,
Segue o comentário matinal da equipe do Bradesco:
Indicador de clima econômico cai na América Latina
O Indicador de Clima Econômico da América Latina (ICE), elaborado em parceria entre o instituto IFO da Alemanha e a FGV, apontou recuo para 90 pontos em abril, ante a leitura trimestral anterior de 95 pontos em janeiro. Assim, o indicador mantém-se em patamar inferior ao da média dos últimos 10 anos, de 104 pontos. Para tanto, os dois componentes do dado agregado registraram queda: o Indicador de Situação Atual oscilou de 88 para 82 pontos entre janeiro e abril, enquanto o de Expectativas passou de 102 para 98 pontos no período. Sete dos onze países monitorados pela Sondagem registraram queda. O Brasil destaca-se por registrar a maior delas: o indicador passou de 89 para 71 pontos, uma redução de 20%, situando-se abaixo da média de 121 pontos. Conforme enfatizado no documento de divulgação do ICE, no auge da crise de 2008, o nível mais baixo alcançado pelo indicador foi de 78 pontos (em janeiro de 2009). Esse resultado específico para o Brasil, em linha com outras sondagens conjunturais, reforça a nossa percepção de desaceleração da atividade econômica nos primeiros meses do ano.
Atividade
- IBGE: nível de emprego industrial registra leve aumento em março
O nível de emprego industrial registrou aumento de 0,2% em março, já descontados os efeitos sazonais, após uma alta de 0,1% em fevereiro, de acordo com a Pesquisa Mensal de Emprego e Salário (PIMES), divulgada ontem pelo IBGE. Assim, o indicador confirma a interrupção do período de três quedas observadas entre novembro do ano passado e janeiro deste ano. Esse desempenho está alinhado com o indicador de nível de emprego industrial da Sondagem da Indústria da FGV, que mostrou ligeira alta entre fevereiro e abril, após um período de recuo. Na comparação interanual, houve recuo de 1,9%. Essa redução foi verificada em 10 dos 14 locais pesquisados, com destaques para Rio Grande do Sul (-4,7%), Paraná (-3,0%) e São Paulo (-2,8%). Analisando setorialmente, 13 dos 18 setores pesquisados apresentaram recuo. As maiores quedas foram verificadas nos segmentos de indústria de produtos de metal (-12,4%), calçados e couro (-12,3%) e máquinas e equipamentos (-7,8%). O número de horas pagas, por sua vez, recuou 0,3% em relação ao mês anterior e 2,4% na comparação interanual. Já a folha de pagamento real teve decréscimo de 2,1% na comparação com fevereiro e aumentou 0,5% em relação a março do ano passado.
- Abinee: sondagem aponta queda na produção da indústria de eletroeletrônicos em março
A Sondagem de Conjuntura, divulgada pela Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), apontou no mês de março queda de 61% para 44% no total de entrevistados que registraram crescimento nas vendas/encomendas em relação a março de 2013. Ao mesmo tempo em que aumentou de 14% para 39% o número de empresas que verificaram queda. Em linha com esses resultados, verifica-se aumento de 25% para 60% no percentual de empresas que tiveram seus resultados abaixo das suas expectativas. A indicação de negócios conforme o esperado oscilou de 56% para 23% nesta sondagem. A piora nas vendas acarretou em aumento de estoques tanto de componentes e matérias-primas, como de produtos acabados. Neste último caso, passaram de 15% para 32% as indicações de inventários que ficaram acima do normal. Segundo dados do IBGE, a produção do setor eletroeletrônico, em fevereiro de 2014, ficou 19,6% acima do resultado de fevereiro de 2013. No acumulado dos dois primeiros meses do ano, o incremento foi de 15,0% em relação ao igual período do ano passado. Apesar do comportamento favorável registrado em fevereiro, o esfriamento nos negócios, capturado pela Abinee, gera expectativa de ligeira queda na produção da indústria eletroeletrônica em março de 2014 comparada com o mesmo mês do ano passado na apuração do IBGE.
Internacional
- Área do Euro: recuo da produção industrial em março não reverte expectativa de aceleração do PIB no primeiro trimestre
A produção industrial recuou 0,3% na Área do Euro em março, conforme divulgado nesta manhã. O resultado ficou em linha com as expectativas e sucedeu a alta de 0,2% em fevereiro. Com isso o indicador acumulou alta de 0,2% no primeiro trimestre. Para tanto, a produção de energia registrou queda de 0,4% (influenciada pelo inverno mais ameno no inicio do ano), mais do que compensada pela alta de 0,9% da indústria de transformação. A abertura por países mostra maiores quedas no mês na França, Espanha e Itália. De forma geral, o resultado agregado reforça a expectativa de crescimento mais acelerado da economia europeia neste primeiro trimestre, que será divulgado ainda hoje.
- Reino Unido: projeções do BoE apontam persistência do excesso de capacidade ociosa no país
Segundo as projeções do Bank of England (BoE, na sigla em inglês), apesar do crescimento esperado de 3,5% do PIB para este ano e de 2,9% para 2015, o excesso de capacidade ociosa na economia britânica deve ser completamente eliminado apenas ao final do seu horizonte de projeção (três anos). O relatório trimestral de inflação divulgado hoje traz ainda as expectativas de inflação e de desemprego da autoridade monetária para os próximos anos. O banco central espera que a variação dos preços ao consumidor permaneça ao redor da meta nos próximos dois anos (1,8% e 1,7%, respectivamente). Com isso, o presidente do banco central local defendeu em seu discurso, ao divulgar o documento, que ainda há espaço para uma maior redução da capacidade ociosa antes de haver necessidade de aumentar a taxa de juros. Parece-nos, portanto, que o BoE pretende dessa forma administrar as expectativas dos agentes de forma a impedir que a perspectiva de retirada de estímulos impeça a recuperação da atividade econômica do país. Assim, mantemos a expectativa de que não haja alterações na política monetária ao menos até o segundo trimestre de 2015.
- OPEP: incremento da oferta de países não membros deve ser maior do que o da demanda global em 2014
A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) divulgou ontem seu relatório mensal sobre o mercado de petróleo. De acordo com Associação, o incremento da demanda mundial em 2014 deverá ser de 1,14 milhão de barris/dia (mbd), para um patamar de 91,2 mbd. Essa variação, similar à que foi apontada em abril, se confirmada constituirá uma aceleração em relação ao verificado em 2013, quando o incremento na demanda foi de 1,05 mbd. As principais fontes de aumento do consumo deverão ser a China (incremento de 0,33 mbd, para 10,4 mbd) e os EUA (avanço de 0,15 mbd, para 19,4 mbd). No que tange ao lado da oferta dos produtores que não são membros da Organização, a projeção é de uma alta de 1,4 mbd neste ano, para 55,6 mbd. Essa projeção é ligeiramente superior a que foi apontada anteriormente (revisão de 10 mil barris/dia) e constitui uma ligeira aceleração em relação ao incremento de 1,35 mbd registrado no ano passado. Neste caso, o destaque ficará por conta dos EUA, com uma variação de 0,9 mbd neste ano. Essas projeções estão alinhadas com outras que sugerem, implicitamente, uma perda gradual de relevância da OPEP no mercado de petróleo. Avaliamos que essa tendência seja compatível com a redução, também gradual, dos preços de combustíveis ao longo dos próximos trimestres, a despeito dos fatores de risco, tais como o clima adverso e tensões geopolíticas.
Tendências de mercado
As bolsas asiáticas encerraram o pregão desta terça-feira com direções divergentes. Enquanto as ações japonesas exibiram queda, na China o mercado encerrou em alta, refletindo o pedido do banco central local para que os bancos aumentassem os empréstimos imobiliários. Na Europa, as bolsas operam em queda, respondendo a resultados coorporativos desfavoráveis. Na mesma direção, os índices futuros em Nova York recuam nesta manhã.
O pedido do banco central chinês impulsiona as moedas dos países emergentes e as commodities metálicas (em especial o cobre). Na direção contrária, a libra e o euro perdem valor diante da expectativa de extensão dos estímulos monetários no continente europeu. As commodities agrícolas se enfraquecem em função da perspectiva de aumento da oferta mundial de grãos. No Brasil, o real deve se desvalorizar enquanto a curva de juros futuros deve exibir pouca volatilidade em função da ausência de indicadores na agenda doméstica.
Octavio de Barros
Diretor de Pesquisas e Estudos Econômicos - BRADESCO
Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos