No cenário internacional, destaque para a divulgação do PIB da zona do euro, que registrou alta de 0,2% no primeiro trimestre. A expansão frustrou expectativas de aceleração do crescimento da economia do bloco, e veio na contramão do bom resultado verificado na Alemanha (0,8% de expansão trimestral), a maior economia da região. A divulgação veio em linha com os dados ainda bastante fracos de inflação, e alimentaram a perspectiva de que uma nova rodada de medidas de estímulo monetário estaria por vir. Na China também observamos dados decepcionantes de atividade relativos ao mês de abril, como os investimentos em ativos fixos, produção industrial e vendas no varejo, tornando menos provável a meta de crescimento de 7,5% em 2014. Por último, nos Estados Unidos, os dados de atividade divulgados esse semana – vendas no varejo, produção industrial e confiança do consumidor – também ficaram aquém das expectativas do mercado, aumentando a incerteza sobre o ritmo de recuperação econômica global.
No cenário doméstico, as vendas no varejo, no conceito ampliado (que incluem veículos e material de construção), caíram 5,7% em março na comparação interanual, abaixo da nossa expectativa (-3,9%). A forte desaceleração é parcialmente explicada pelo feriado de Carnaval, que aconteceu em março este ano, e em fevereiro no ano passado. Ainda assim, na série com ajuste sazonal, as vendas no varejo, no conceito ampliado, caíram 1,2% em relação a fevereiro, que junto aos valores revisados de janeiro e fevereiro implicam em uma queda de 0,2% no trimestre – a primeira queda trimestral desde o terceiro trimestre de 2011. De acordo com a Fenabrave, as vendas de veículos apresentaram uma leve recuperação em abril. Ressaltamos, porém, que com o possível aumento do IPI em julho, desaceleração do crédito e ganhos salariais mais moderados, não podemos esperar uma recuperação de fato nos próximos meses. Também destacamos a proxy mensal do PIB (IBC-Br), divulgada pelo BC, com queda de 0,11% em março, abaixo da nossa expectativa de estabilidade no mês. Com as revisões no resultado de janeiro e fevereiro, o IBC-Br aponta uma alta de 0,3% no trimestre – superior à nossa projeção para um PIB estável no primeiro trimestre.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou que o aumento de impostos sobre bebidas frias, que entraria em vigor em junho, foi adiado por três meses. Além disso, o aumento será feito de forma gradual e não de uma só vez. Vale lembrar que o governo esperava R$ 1,5 bilhão com essa medida. Sem a receita adicional, mantemos o nosso call de um superávit primário de 1,4% do PIB este ano. Em relação à inflação, se a mudança de impostos for implementada até o final do ano, isso não causará nenhuma mudança em nossa previsão do IPCA para 2014. Mas o adiamento deve ter um impacto negativo de cerca de 4 a 5 pontos-base no IPCA em junho e julho.
O IGP-10 de maio ficou em 0,13% (8,01% no acumulado em 12 meses), abaixo do consenso de mercado de 0,29%. Na comparação mensal, o índice desacelerou em relação a abril (1,19%), impulsionado pela menor inflação dos preços agrícolas no atacado, com mandioca, laranja e aves desempenhando papéis fundamentais – acreditamos que a inflação dos preços agrícolas esteja se aproximando do seu mínimo local, e deve aumentar nas próximas semanas. A inflação dos preços industriais no atacado também diminuiu, puxada pela queda nos preços do minério de ferro e farelo de soja. A inflação ao consumidor foi de 0,76% em maio (6,38% em 12 meses), de 0,88% no mês anterior, com o aumento anual nos preços de medicamentos sendo parcialmente compensado pela menor inflação de alimentos e da gasolina, e queda de preços das passagens de avião, entre outros. Os custos da construção subiram 1,06% (7,97% em 12 meses) de 0,39% em abril. Nossa projeção para o IGP em 2014 permanece em 7,3%.
Nos mercados, o dólar fechou cotado a R$ 2,21 no final da semana, o que representou leve perda da moeda brasileira de 0,1% em relação à semana anterior. A curva de juros sofreu um leve deslocamento para baixo em relação ao fechamento da semana anterior: contrato para janeiro de 2016 teve queda de 0,08 pp para 11,75%, enquanto o janeiro de 2018 caiu 0,07pp em 12,21%. O Ibovespa fechou a sexta-feira com alta de 1,6% em relação à semana anterior, acumulando ganho de 4,8% no ano.