quinta-feira, 22 de maio de 2014

BRADESCO - BOLETIM DIÁRIO MATINAL

Clientes,

Segue o panorama econômico da competente equipe do Bradesco:

Prévia da sondagem industrial da FGV sugere queda da produção em maio

A prévia do Índice de Confiança da Indústria (ICI) apontou recuo de 4,6% da confiança industrial em maio, conforme divulgado há pouco pela FGV. Essa foi a quinta queda consecutiva do indicador, que atingiu seu menor patamar desde junho de 2009. Para tanto, contribuíram os recuos de 4,8% do Índice de Situação Atual (ISA) e de 4,5% do Índice de Expectativas (IE). Além disso, houve redução de 0,2 ponto percentual do Nível de Utilização da Capacidade Instalada, de 84,5% para 84,3%. 
Atividade 


- Caged: geração líquida de empregos formais mostra desaceleração em abril, influenciada por indústria e construção civil

O saldo líquido de emprego formal atingiu 105,4 mil vagas em abril, conforme dados divulgados ontem pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Em termos dessazonalizados, o número representa destruição líquida de 12,9 mil vagas no período, desacelerando em relação a março, quando foram criadas 9,7 mil vagas. Com isso, nos últimos três meses foram gerados liquidamente 35,6 mil empregos formais, abaixo dos 58,3 mil em março. Setorialmente, destacamos a desaceleração da indústria e da construção civil, que apresentam destruição líquida de 17,1 mil e de 16,0 mil vagas, respectivamente, depois de tratado os efeitos sazonais. Por outro lado, os setores de serviços e comércio indicaram aceleração no ritmo de criação de postos formais. De modo geral, o resultado de abril mostra um desaquecimento da criação de emprego. Porém, vale ressaltar que o salário médio dos admitidos mostrou ligeira aceleração na variação interanual. O indicador registrou crescimento nominal de 8,1% quando comparado a abril de 2013, acima do registrado em março, quando cresceu 7,8%.

- CNI: sondagem industrial reforça percepção de recuo da produção industrial em abril 


A Sondagem Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgada ontem, apontou para queda da produção industrial em abril. O índice de evolução da produção oscilou de 48,8 pontos em março para 47,3 pontos em abril, situando-se abaixo do nível neutro de 50. Segundo a CNI, a partir das respostas de 2045 empresas coletadas entre os dias 5 e 14 deste mês, o menor nível desse indicador no último mês sugere que a queda da produção foi mais disseminada no setor industrial. O índice que captura a evolução dos estoques, por sua vez, aumentou de 50,1 para 51,4 pontos no período, refletindo principalmente o movimento verificado nas grandes empresas. Em linha com essas pioras observadas, os indicadores de expectativas dos empresários também apresentaram deterioração nos quesitos avaliados (demanda, quantidade exportada, compras de insumos e número de empregados). Cabe registrar que os itens quantidade exportada e número de empregados estão com índices abaixo do neutro neste mês. Esses resultados estão alinhados com outras sondagens e indicadores coincidentes, reforçando a nossa percepção de recuo da produção industrial em abril, segundo apuração da Pesquisa Industrial Mensal (PIM/IBGE).
Inflação 


- IBGE: alimentação no domicílio e transportes explicaram desaceleração do IPCA-15 de maio 


A alta de 0,58% do IPCA-15 em maio, divulgada ontem pelo IBGE, ficou ligeiramente acima das nossas expectativas (+0,57%), e das do mercado (+0,55%). A inflação ao consumidor desacelerou ante a alta de 0,78% apontada pelo IPCA-15 de abril e pela variação de 0,67% observada em no fechamento do mês passado. Diante do resultado reportado, o índice oficial de inflação no Brasil acumula alta de 6,31% até maio, ante o avanço de 6,27% registrado no fechamento do mês anterior. O destaque do dado reportado ficou por conta da inflação de alimentação e bebidas, que passou de 1,84% para 0,88% entre abril e maio (comparando as leituras do IPCA-15). Em especial, a alimentação no domicílio recuou de uma alta de 2,44% para outra de 0,97% no período, o que contribuiu com 0,24 ponto percentual na desaceleração total do índice cheio. Tal comportamento refletiu, principalmente, os alimentos in natura, que exibiram inflação de 1,16%, ante os 7,4% em abril. Outro responsável pelo desempenho mais fraco do IPCA no mês passado foi o grupo transportes, que registrou variação negativa 0,33%, sucedendo a alta anterior de 0,54%. Para tanto, os preços das passagens aéreas recuaram 21,3%, após terem exibido resultado ligeiramente negativo de 1,79% no mês anterior, e os preços de combustíveis passaram de uma alta de 1,30% para deflação de 0,20%. Por outro lado, os grupos habitação e saúde impediram que a desaceleração em maio fosse maior. No primeiro caso, a alta de 1,19% foi influenciada pelos reajustes da conta de energia elétrica residencial ( reajustes ocorridos em Belo Horizonte, Fortaleza, Salvador, Recife e Porto Alegre), com os preços deixando a deflação de 0,11%, para alta de 3,76% em maio. Já o segundo grupo teve seu comportamento explicado em grande medida pelo preço dos medicamentos, que saltaram de +0,69% para 2,1%. A desaceleração ocorreu também nos preços de serviços, que recuaram de 9,0% para 8,68%, considerando a variação nos últimos doze meses. Ou seja, embora seja um patamar bastante elevado, é visível o início de uma trajetória cadente. Nos próximos meses, o monitoramento dos riscos climáticos será relevante para calibrar as expectativas de inflação do ano, bem como dos movimentos de câmbio e dos efeitos da Copa do Mundo sobre alguns itens.

Setor Externo

- BC: fluxo cambial fecha a terceira semana de maio positivo em US$ 380 milhões 


De acordo com os dados divulgados ontem pelo Banco Central, o resultado do fluxo cambial da terceira semana do mês (dias 12 a 16) foi superavitário em US$ 380 milhões. O resultado deve-se principalmente ao bom desempenho da conta financeira no período, em que as entradas de moeda estrangeira, de US$ 10,191 bilhões, superaram as saídas, de US$ 9,124 bilhões, gerando um saldo líquido positivo de US$ 1,067 bilhão – resultado muito superior se comparado ao déficit financeiro de US$ 2,073 bilhões registrado na semana entre os dias 5 e 9. Entretanto, o resultado final foi prejudicado pelo mau desempenho da conta comercial, que registrou um déficit de US$ 687 milhões. Esse valor reflete as contratações de câmbio de importações de US$ 4,658 bilhões, frente a contratações de exportações de US$ 3,971 bilhões. Além disso, o resultado positivo ainda não foi suficiente para que o fluxo de câmbio deixasse o campo negativo em maio. Os resultados deficitários de US$ 906 milhões na conta comercial e de US$ 452 na financeira conferem ao mês um resultado até o momento negativo em US$ 1,358 bilhão. O ano continua mostrando um superávit em seu resultado até o momento, de US$ 3,483 bilhões, relativamente equilibrado entre as contas financeira (US$ 1,649 bilhão) e comercial (US$ 1,834 bilhão).


Internacional

- EUA: tom neutro da ata do FOMC mantém perspectiva de retirada gradual de estímulos 


A ata da última reunião do Comitê de Mercado Aberto (FOMC) do banco central dos EUA, divulgada ontem à tarde não gerou surpresa ao mercado, uma vez que o comunicado revelou um tom mais neutro em relação ao documento anterior. Na ata, o Fed revelou sua preocupação com as taxas de desemprego para o curto e longo prazo. Sua percepção em relação à atividade é otimista, ao passo que não há indícios de instabilidade financeira no país. Nesse sentido, alguns membros do comitê retomaram o debate referente à operacionalização da elevação da taxa de juros no país, dado que a entidade enxerga um aumento da inflação por conta da reforma do sistema de saúde (que deverá atingir o patamar de 2%), além da desaceleração do setor de habitação no país. Dessa forma, o Fed se mostra cauteloso com os próximos passos de sua política monetária.


- Área do Euro: prévia do PMI composto de maio sugere desempenho favorável dos países periféricos 


A prévia do PMI composto, divulgado nesta manhã, aponta para ligeiro recuo do indicador em maio, de 54,0 para 53,9 pontos. O resultado está em linha com o esperado e reflete novo recuo da atividade na França, enquanto na Alemanha o indicador permaneceu constante. Como a prévia não traz a abertura completa por países, o desempenho de França e Alemanha sugere comportamento mais favorável dos países periféricos no período. Além disso, apesar da queda, o PMI composto permanece acima de 50 pontos e da média observada no primeiro trimestre, apontando para crescimento de 0,5% do PIB da Área do Euro no trimestre atual. Adicionalmente, a alta do componente de novas encomendas em maio sugere persistência da expansão da atividade nos meses a frente. Por outro lado, o preço médio cobrado pelos bens e serviços pesquisados recuou novamente, reforçando nossa expectativa que o BCE deva reduzir os juros em sua próxima reunião, em junho.

- China: surpresa positiva com a prévia do PMI de maio deverá reduzir, ao menos por ora, as preocupações com o crescimento da economia chinesa deste ano

O resultado prévio do índice PMI da indústria de transformação de maio superou as expectativas, apontando melhora ante abril. O indicador chegou a 49,7 pontos, avançando ante a marca de 48,1 pontos registrada no mês anterior e os 48,3 pontos esperados pelo mercado. Essa melhora na margem foi impulsionada pela alta dos pedidos voltados ao mercado doméstico e externo, acompanhada pela expansão da produção e pela redução dos estoques de matéria prima. Esse desempenho mais favorável sugere que a medidas de suporte à economia, adotadas pelo governo chinês desde meados de março, começam a surtir efeito, interrompendo a tendência de desaceleração verificada dos últimos meses. Isso certamente deverá reduzir as preocupações do mercado e deverá fazer com o governo mantenha sua estratégia de combinar reformas (cujos avanços nas últimas semanas têm sido expressivos) com medidas de estímulo de curto prazo, direcionadas a setores específicos.

- Produção mundial de aço bruto apresenta recuo em abril 

A produção mundial de aço bruto somou 136,6 milhões de toneladas em abril, de acordo com os dados da Associação Mundial de Aço (World Steel), divulgados ontem. Isso representa uma queda de 0,7% na margem, já descontados os efeitos sazonais, segundo estimativas do DEPEC – Bradesco, ante a alta de 1,2% registrada em março. Em sentido oposto, comparando com abril de 2013, a produção avançou 3,4%. O resultado baixista do mês passado, na margem, foi influenciado pela queda de produção nos países emergentes, da União Europeia e da América do Norte. Assim, a produção em 12 meses soma 1,728 bilhão de toneladas, alta de 4,5% em relação ao período anterior. Ainda em 12 meses, os emergentes apresentaram expansão de 5,2%.  A produção chinesa avançou 7,6% nos últimos 12 meses e queda de 0,5% na margem (dados dessazonalizados). No Brasil, a produção de aço bruto somou 2,7 milhões de toneladas, na série dessazonalizada, recuando 5,5% em comparação com março, o que também reforça a nossa percepção de queda da produção industrial doméstica no período. Em 12 meses, houve um aumento de 0,8% na produção nacional.


Tendências de mercado

As bolsas asiáticas encerraram o pregão desta quinta-feira em alta, refletindo a surpresa favorável com o PMI chinês. Por outro lado, o resultado mais fraco do indicador composto na Área do Euro enfraquece as bolsas locais, que operam em queda. Por fim, os índices futuros em Nova York exibem ligeira alta. 


A redução com as preocupações com a China favorece as moedas dos países emergentes nesta manhã, com destaque para a lira turca e o rand sul africano. Com isso, esperamos valorização da moeda brasileira na abertura do mercado. As commodities também se apreciam em função dados chineses, em especial o cobre e a soja. No mercado doméstico, os juros futuros devem responder ao resultado mais fraco da confiança da indústria, divulgado há pouco pela FGV, e aos dados de emprego, que serão conhecidos às 9 horas.

Octavio de Barros 
Diretor de Pesquisas e Estudos Econômicos - BRADESCO 
Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos