Clientes e Investidores,
Segue abaixo o comentário semanal da gestora Brasil Plural. Temos diversos produtos da gestora na nossa plataforma, mais informações thiago@moneyinvest.com.br :
Um dos destaques da semana no cenário internacional foi a prévia do PMI de maio da China, que mostrou uma leve recuperação, atingindo o nível mais alto em cinco meses, embora ainda permaneça abaixo de 50, o que sinaliza contração. Acreditamos que o dado aponta para uma estabilização do crescimento. No entanto, os riscos para baixo permanecem, especialmente porque o mercado imobiliário continua a mostrar sinais de fraqueza. Nos Estados Unidos, a ata da última reunião do Fomc (comitê de política monetária do Fed) e discursos de membros do comitê mostraram que ainda não há um consenso sobre quando as taxas de juros devem começar a subir. Na Europa, índices qualitativos (PMI da zona do euro, confiança do empresariado na Alemanha) mostraram perda de vigor, o que se somou às dúvidas sobre a recuperação econômica do bloco após o decepcionante PIB do primeiro trimestre.
No Brasil, a pesquisa Ibope mostrou um aumento nas intenções de voto para todos os principais candidatos. As intenções de voto na presidente Dilma subiram de 37% para 40%; em Aécio de 14% para 20%; e em Campos de 6% para 11%. Destacamos que a diferença entre Dilma e a soma dos demais candidatos diminuiu de 12% para 4%, aumentando as chances de haver segundo turno. Além disso, a taxa de rejeição de Dilma permaneceu estável em 33%, enquanto a de Aécio caiu de 25% para 20%, e a de Campos caiu de 21% para 13%. Apesar da recuperação aparente de Dilma, acreditamos que a pesquisa mostra um cenário mais desafiador para a presidente já que o gap nas intenções de voto diminuiu ainda mais e sua taxa de rejeição continua sendo a maior entre os principais candidatos.
Os mercados foram impactados também por uma decisão do STJ no caso da disputa em torno do ressarcimento a poupadores por prejuízos durante planos econômicos dos anos 1980 e 1990. O STJ determinou que os juros de mora devem ser contabilizados a partir do momento em que o banco foi citado sobre a ação civil pública, enquanto as instituições financeiras defendiam que só deveria contar no fim, quando o réu é citado para pagar a dívida e reconhece o direito do credor. A decisão eleva o montante a ser pago pelos bancos aos poupadores caso o STF julgue que a correção monetária dos valores das cadernetas não ocorreu dentro da legalidade – o STF retoma o julgamento do caso a partir do dia 28 de maio.
A semana trouxe os dados de emprego de abril. De acordo com o CAGED (Ministério do Trabalho), 105 mil empregos foram criados em abril, abaixo da nossa projeção (135 mil) e do consenso de mercado (160 mil). A criação de empregos caiu 46% em relação a abril de 2013, depois de subir 16% em fevereiro e março (combinados). Este foi o menor valor para abril em 15 anos, com a indústria e a construção civil representando as principais fontes de fraqueza no relatório. De acordo com o nosso ajuste sazonal, a criação de empregos chegou a 17 mil, de 26 mil em março. Por fim, a média em 12 meses caiu para 56 mil de 64 mil no mês anterior, atingindo um nível abaixo do patamar de 63 mil que identificamos como compatível com uma taxa de desemprego estável. A pesquisa de emprego do IBGE, por sua vez, indicou que a taxa de desemprego no Brasil atingiu 4,9% em abril, uma queda de 90 pontos-base da taxa observada para o mesmo mês em 2013. Segundo o nosso ajuste sazonal, a taxa de desemprego caiu de 4,8% em março para 4,7%, um novo mínimo histórico para a série. A história por trás do resultado é a mesma dos últimos meses - a taxa de desemprego continua baixa e caindo impulsionada, principalmente, pela queda na força de trabalho. A população economicamente ativa caiu 0,8% em comparação com abril do ano passado (após queda de 0,6% em março), mantendo o raro padrão de crescimento negativo dos últimos 6 meses. A queda na força de trabalho tem sido relacionada à queda das taxas de participação, especialmente das mulheres e dos jovens. Enquanto isso, a população empregada ficou praticamente estável na comparação anual (+0,2%). Os salários reais aumentaram 4,0% no trimestre encerrado em abril, ressaltando os riscos para a inflação do crescimento dos salários em um cenário de oferta reduzida de força de trabalho.
O IPCA-15 de maio ficou em 0,58% (de 0,78% em abril), um pouco acima da nossa expectativa e do consenso de mercado, ambos em 0,56%. Comparada à nossa projeção, a grande surpresa para baixo nos preços de passagens de avião foi compensada pelo aumento da inflação em outros itens, especialmente dentro do grupo de alimentos. Em comparação ao mesmo período do ano anterior, a inflação atingiu 6,31%, acima da variação de 6,19% observada em abril. O resultado mostrou a persistência de índices historicamente elevados de difusão (67%, o nível mais elevado para o mês nos últimos 11 anos), de inflação de serviços (8,7% contra a média de 7% nos últimos 10 anos) e de medidas de núcleo da inflação na base interanual (6,4%, o número mais alto em 27 meses). A nossa projeção preliminar para o IPCA de maio é de 0,43% (6,34% em 12 meses). Esperamos que o IPCA termine 2014 em 6,6%, e vemos a inflação em 2015 em 6,9%. Apesar deste cenário preocupante para a inflação, a recente comunicação do BC nos leva a crer que o Copom irá interromper o ciclo de altas da taxa Selic na próxima reunião (27 a 28 de maio), com taxas de juros em 11,00% ao ano.
Do lado fiscal, o governo divulgou o relatório de avaliação fiscal do 2º bimestre com uma projeção de receitas extraordinárias de R$ 24,3 bi (sendo R$ 12,5 bi do novo Refis). Desta forma, revisamos nossa projeção para o superávit primário do ano de 1,4% para 1,6% do PIB.
Por último, o déficit em transações correntes de abril ficou em US$ 8,3 bi, acima da nossa expectativa (US$ 6,0 bi) e do consenso de mercado (US$ 6,6 bi). A principal surpresa veio das remessas de lucros e dividendos, que totalizaram US$ 3,3 bi, um pouco acima dos US$ 2,5 bi em abril de 2013, mas bem acima do parcial até o dia 23 do mês (US$ 758 mi). O déficit acumulado em 12 meses manteve-se em US$ 81,6 bi ou 3,65% do PIB, estável em comparação com a média de 3,64% nos últimos 6 meses. Os investimentos estrangeiros diretos registraram ingressos líquidos de US$ 5,2 bi, um pouco acima da nossa expectativa (US$ 5,1 bi), mas abaixo do consenso de mercado (US$ 5,4 bi). Os investimentos em títulos de renda fixa negociados no país totalizaram US$ 1,6 bi, mostrando uma queda em comparação com as fortes entradas nos últimos 3 meses, mas US$ 594 mi acima de abril de 2013. Apesar da surpresa negativa no mês, o resultado está em linha com a nossa previsão para o ano - esperamos um déficit de US$ 83 bil (3,7% do PIB).
Nos mercados, o dólar fechou cotado a R$ 2,22 no final da semana, o que representou perda da moeda brasileira de 0,4% em relação à semana anterior. A curva de juros se deslocou para baixo: contrato para janeiro de 2016 teve queda de 0,21 pp para 11,54%, enquanto o janeiro de 2018 caiu 0,22pp em 11,99%. O Ibovespa fechou a sexta-feira com queda de 2,5% em relação à semana anterior, trazendo o ganho no ano no ano para 2,2%.