terça-feira, 20 de maio de 2014

BRADESCO - BOLETIM DIÁRIO MATINAL

A balança comercial registrou superávit de US$ 563 milhões na terceira semana de maio, impulsionada pela redução das importações de combustíveis em relação ao restante do mês

A balança comercial registrou saldo positivo de US$ 563 milhões na terceira semana de maio, conforme divulgado ontem pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Quando comparamos as médias diárias de maio de 2014 com o mesmo período do ano anterior, notamos redução de 0,5% das exportações. Esse resultado é reflexo da queda das vendas de produtos semimanufaturados (-13,5%, por conta de açúcar em bruto, ouro em forma semimanufaturada, óleo de soja em bruto, semimanufaturados de ferro e aço) e manufaturados (-7,8%, devido a automóveis de passageiros, autopeças, motores para veículos e partes, aviões e açúcar refinado). Por outro lado, os produtos básicos subiram 7% nessa base de comparação, principalmente por conta do bom desempenho das vendas de minério de cobre, petróleo em bruto, carne bovina e suína, café em grão, soja em grão e farelo de soja. Ainda com o mesmo critério de comparação, para as importações, a média diária deste mês caiu 4%  ante maio de 2013. Recuaram as compras de combustíveis e lubrificantes (-27,6%), alumínio e suas obras (-46,3%), equipamentos mecânicos (-5,7%), veículos automóveis e partes (-6,5%) e eletroeletrônicos (-2,3%). No acumulado de maio, os saldos de US$ 11,379 bilhões das exportações e de US$ 10,590 bilhões das importações explicaram o superávit de US$ 789 milhões. No ano, contudo, a balança comercial permanece no campo negativo, em US$ 4,777 bilhões.

Atividade 

- CNI: retração da confiança da indústria em maio sustenta nossa expectativa de moderação da atividade econômica neste segundo trimestre


Em linha com os resultados referentes a outras sondagens, o índice de confiança do empresário industrial mostrou contração em maio, chegando a 48 pontos frente à marca de 49,2 pontos registrada em abril, conforme divulgado ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Para tanto, o índice de condições atuais passou de 41,2 para 40,7 pontos e o indicador relativo às expectativas recuou de 53,3 para 51,7 pontos na passagem de abril para maio. Além disso, notamos que o baixo patamar da confiança do setor segue disseminado entre os diversos segmentos industriais e os diferentes portes de empresas pesquisadas. Esse desempenho, somado a outros indicadores já conhecidos, reforça nossa expectativa de moderação da atividade econômica neste segundo trimestre. 

Internacional

- USDA: esperamos alguma volatilidade dos preços internacionais dos grãos, até a colheita da safra de grãos dos EUA, em agosto/setembro


O relatório semanal de evolução do plantio nos EUA , divulgado ontem pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), mostrou que os plantios de soja e de milho voltaram a ficar atrasados em relação à média dos últimos 5 anos. Esse atraso, contudo, é menor do que o verificado há um ano. Com isso, acreditamos que os preços das commodities agrícolas poderão reagir um pouco para cima a essa informação de curto prazo, por conta das preocupações com a produtividade dos grãos. Mas isso, se de fato ocorrer, não deve se sustentar, olhando o médio prazo. Primeiro, porque o atraso não é tão grande assim nestes dois casos e está avançando. Depois, porque as perspectivas ainda são de colheita nos EUA (e no mundo) volumosa, se o clima não for desfavorável. Até a colheita, em agosto/setembro, porém, os dados de curto prazo (como esses de plantio) deverão gerar grande volatilidade. A depender dos resultados, é razoável esperarmos suporte para as cotações, com recuo mais evidente somente a partir do início da colheita.
  
- China: anúncio de medidas de estímulos e de avanços nas reformas deverá interromper a desaceleração da economia 


Em linha com o que temos observado desde meados de março, o governo chinês tem avançado nas reformas e anunciado algumas medidas de suporte à economia, diante da perda de ritmo da economia neste ano. Para o comércio exterior, formalizando alguns anúncios já ocorridos na semana passada, o Ministério do Comércio do país começará a promover incentivos graduais (como descontos dos impostos de exportação, facilitação dos financiamentos), incluindo uma maior flexibilidade cambial, com a expectativa principal de que – após forte depreciação nos últimos meses – a moeda chinesa seguirá mais estável no restante do ano. Somado a isso, dando passos na direção da abertura da conta capital, o regulador chinês aliviou as restrições para que as empresas promovam aquisições no exterior e incentivará o acesso a recursos no exterior por parte de empresas chinesas. Por fim, o governo do país divulgou que aprovará, a partir de junho, a oferta inicial (IPO)de 100 empresas, como forma de impulsionar o mercado de capitais do país. Vale lembrar também que ontem foi comunicada a possibilidade de que governos locais emitam bônus no mercado chinês, configurando como importante instrumento alternativo de financiamento ao investimento. Dessa forma, frente aos sinais ainda presentes de desaceleração da economia chinesa, acreditamos que essas medidas e esses importantes avanços nas reformas serão fundamentais para interromper o arrefecimento atual.


- Europa: deflação no atacado na Alemanha contrasta com surpresa altista com a inflação ao consumidor no Reino Unido em abril

A inflação ao produtor na Alemanha recuou 0,1% em abril na margem, após ter caído 0,3% em março, lembrando que o mercado esperava estabilidade. Da mesma forma, em relação ao mesmo período do ano passado, foi registrada queda de 0,9%, em linha com as expectativas. Esse resultado soma-se às recentes divulgações de outros índices de inflação, que têm aumentando os riscos deflacionistas na economia europeia, reforçando nossas expectativas de que Banco Central Europeu deverá adotar estímulos em sua próxima reunião de política monetária, em junho. Ao mesmo tempo, o índice de preços ao consumidor no Reino Unido avançou 0,4% na passagem de março para abril, superando a alta projetada de 0,3%, levando a variação interanual a 1,8%, aproximando-se da meta de inflação de 2% e aumentando os desafios do Banco da Inglaterra no restante deste ano.

Tendências de mercado

As bolsas asiáticas encerraram o pregão em alta, com o mercado chinês sendo influenciado de forma positiva pelo anúncio por parte do governo de que 100 IPOs (ofertas iniciais de empresas) serão aprovados neste ano, a partir do mês que vem. No Japão, a bolsa foi impulsionada pela desvalorização do iene. Por outro lado, as bolsas na Europa iniciaram o dia operando próximas à estabilidade, com viés de leve queda, refletindo notícias não favoráveis relativas a empresas da região. Os índices futuros norte-americanos seguem a mesma tendência dada pelos mercados europeus e deverão responder, ao longo do dia, aos discursos de dois membros do Fed, Charles Plosser e William Dudley. Nesse sentido, esperamos que a bolsa no Brasil registre leves perdas, potencializadas pelas preocupações com a economia chinesa, destacando o corte dos preços de minério de ferro anunciado por mineradoras do país.


Esse ambiente mais cauteloso, portanto, sustenta a apreciação do dólar frente às demais moedas, o que deve provocar ligeira depreciação da moeda brasileira. Entre as commodities, destaque para a alta das cotações das agrícolas e a ligeira elevação do preço do petróleo, diante das tensões ainda presentes na Ucrânia. Por fim, o comportamento do mercado doméstico de juros futuros tem se alinhado à expectativa de que a Selic encerrará este ano em 11%, lembrando o fechamento da curva verificado ontem. Além disso, a agenda doméstica contará com a divulgação da Pesquisa Mensal de Serviços do IBGE, de março, e do resultado da geração de emprego formal do Caged, de abril.

Octavio de Barros 
Diretor de Pesquisas e Estudos Econômicos - BRADESCO 
Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos