Investidores,
Segue abaixo o Comentário Semanal do mercado da Brasil Plural:
No cenário internacional, os destaques nas economias desenvolvidas foram ligados à política monetária. Por um lado, nos Estados Unidos e na Inglaterra, as perspectivas de que os bancos centrais desses países pudessem dar alguma sinalização de alta nos juros em um futuro próximo foram frustradas. O BoE encerrou a reunião de política monetária essa semana, com manutenção dos juros básicos (0,5% ao ano) e do programa de compra de ativos. Nos Estados Unidos, em testemunho no congresso, a presidente do Fed Janet Yellen, enfatizou que o banco central não tem pressa em elevar os juros, apesar dos dados de atividade mais favoráveis nos últimos meses. Na Europa, por outro lado, os dados ainda bastante fracos de inflação têm alimentado a perspectiva de que uma nova rodada de medidas de estímulo monetário estaria por vir, e o presidente do ECB Mario Draghi de fato afirmou que o comitê está pronto para agir, e que está à espera apenas do novo conjunto de projeções para a economia européia, a ser divulgado no início de junho, para subsidiar a decisão. Na China, destacamos os dados de balança comercial de abril, que mostraram uma evolução das exportações modesta, mas superior à esperada, um bom sinal para a economia asiática.
A produção industrial de março no Brasil caiu 0,5% em relação a fevereiro, menos do que prevíamos (-2,5%). É importante salientar que a surpresa para cima está relacionada com a nova metodologia da pesquisa de produção industrial - as séries temporais foram revisadas até 2012 nesta divulgação. O crescimento da indústria em 2013 foi revisado para 2,3%, de 1,2%, e deve afetar a taxa de crescimento do PIB. Apesar do resultado melhor do que o esperado em março, os números de janeiro e fevereiro foram revisados para baixo, resultando numa queda de 0,4% no trimestre e indicando um PIB fraco. Além disso, devemos observar mais resultados negativos nos próximos meses, já que a indústria automobilística ainda não está mostrando sinais de recuperação – o indicador da Anfavea mostra uma queda adicional da produção em abril.
No campo inflacionário, as divulgações da semana surpreenderam para baixo, impulsionados por uma desaceleração mais rápida que a antecipada dos preços dos alimentos, após as expressivas altas no começo do ano. O IGP-DI de abril ficou em 0,45% (8,10% em 12 meses), abaixo do consenso de mercado (0,62%) e da nossa projeção (0,60%). Na comparação mensal, o índice desacelerou em relação a março (1,48%), impulsionado pela menor inflação dos preços agrícolas no atacado, com soja e laranja desempenhando papéis fundamentais - esperamos que a inflação dos preços agrícolas continue a declinar nas próximas semanas. A inflação dos preços industriais no atacado também diminuiu, puxada pela queda nos preços do minério de ferro e do farelo de soja. A inflação dos preços ao consumidor foi de 0,77% em abril (6,36% em 12 meses), de 0,83% no mês anterior. Os custos na construção civil subiram 0,88% (7,96% em 12 meses), de 0,28% em março. O aumento dos preços das principais commodities acumulado no ano tem sido mais forte do que imaginávamos e recentemente revisamos a nossa projeção do IGP de 6% para 7,3% em 2014. O IPCA de abril também surpreendeu para baixo. O índice variou em 0,67% no mês (ante 0,92% em março), bem abaixo das expectativas de mercado (0,79%) e da nossa projeção (0,82%). As principais surpresas para nós vieram do grupo de alimentação (carnes, laticínios e frutas, em especial). Outros destaques na inflação desse mês foram os medicamentos, após o reajuste concedido a partir do final de março, e energia elétrica, resultado das altas em Minas Gerais, Ceará e Rio Grande do Sul. Em 12 meses, o IPCA acumula alta de 6,38%, ante 6,15% em março. Apesar de ter vindo abaixo do esperado em abril, a perspectiva de reajustes elevados em energia elétrica em todo o país ao longo do ano, e a maior resistência da inflação no primeiro trimestre nos fizeram rever nossa expectativa para o IPCA do ano de 6,4% para 6,7%.
A semana também trouxe novidades no campo político. A pesquisa eleitoral divulgada pelo Datafolha mostrou maior chance de um segundo turno nas eleições de outubro. As intenções de voto na presidente Dilma Rousseff caíram apenas 1 ponto percentual, para 37%, mas as intenções de voto em Aécio Neves subiram 4 pontos percentuais, para 20%, que somados aos demais candidatos indica um empate técnico (a margem de erro da pesquisa é de mais ou menos 2 pontos percentuais). O índice de aprovação do governo manteve-se praticamente estável, caindo 1 ponto percentual, para 35%, ainda assim é o menor nível desde junho de 2013, quando ocorreram as manifestações no país. Destacamos ainda que, de acordo com o Datafolha, 58% dos entrevistados acreditam que Lula deveria ser o candidato do PT e este percentual é maior ainda (75%) entre aqueles que declaram preferência pelo partido.
Nos mercados, o dólar fechou cotado a R$ 2,21 no final da semana, o que representou leve ganho da moeda brasileira de 0,4% em relação à semana anterior. A curva de juros ficou praticamente estável, com leve deslocamento para baixo e redução da inclinação em relação ao fechamento da semana anterior: contrato para janeiro de 2016 teve queda de 0,01 pp para 11,83%, enquanto o janeiro de 2018 caiu 0,05pp em 12,28%. O Ibovespa fechou a sexta-feira com alta de 0,2% em relação à semana anterior, acumulando alta no ano 3,1%.