quarta-feira, 30 de abril de 2014

(=) BRFoods (BRFS3): Resultado ok, mas melhora do ciclo financeiro agrada

Investidores,
Segue analise e opinião da equipe XP, sobre os resultados da BRFoods:
Mercado interno. Receitas no mercado interno atingiram R$3,2 bilhões, 3,6% maior que o 1T13 graças aos preços médios 6,5% maiores e melhora de mix, que contrabalanceram os volumes 2,7% menores. Os custos médios estiveram 5,3% acima do 1T13. Ainda assim, o resultado operacional deste canal de vendas foi 15,4% inferior ao 1T13 (em R$ 352,6 milhões), margem operacional de 11,0% ante 13,4%. Essa queda de margem foi em grande parte devido a outras despesas operacionais não-recorrentes relacionadas a reestruturação incorridas no período, pelo aumento das despesas em marketing e trade.
Lacteos. Os preços mais elevados (+17,8%) sustentaram os resultados de lácteos, mesmo com a queda de 14,0% no volume de vendas (reflexo da queda das vendas de Leite UHT e Leite Pasteurizado versus o 1T13), as receitas do segmento foram R$ 655,9 milhões. Ainda assim, com o aumento 28,3% de custos o resultado operacional totalizou R$ 10,9 milhões negativos, representando uma perda de 6,1 p.p. puxado pelos altos custos de captação de leite no período.
Food Service. Apesar de pouco representativo para o todo, a BRF apresentou crescimento de faturamento líquido de 9,8% no 1T14 vs 1T13, atingindo R$ 401 milhões com crescimento de 14,4% no volume de vendas. Ainda assim o resultado operacional sucumbiu a elevação de custos e o resultado operacional foi de R$ 36,3 milhões com queda de margem.
Mercado Externo. No período, a empresa exportou 535,3 mil toneladas e a receita alcançada foi de R$ 3,1 bilhões. O lucro operacional da companhia no Mercado Externo teve uma significativa melhora de 432,5%, alcançando R$ 183,8 milhões no trimestre contra R$ 34,5 milhões registrado no mesmo período do ano anterior. A margem operacional também apresentou um incremento de 4,9 p.p., passando de 1,1% no 1T13 para 6,0% no 1T14. Destaques positivos para racionalização do mercado no Japão (maior equilíbrio entre oferta e demanda), para o período do Ano Novo Chinês que registrou uma demanda aquecida e a continuidade da recuperação econômica europeia refletiu na melhora de preços na região o que contribuiu para aumento da receita na Europa.   
 
O resultado da BRFoods se mostrou levemente aquém do esperado pelo mercado. Todavia acreditamos que o mercado possa reagir positivamente aos números muito bons, apresentados em termos de geração de Fluxo de caixa. O Conference de resultados que ocorrerá amanhã pela manha (9hs) poderá nos dar uma sensibilidade da sustentabilidade de tal número.
Em suma, o mercado externo foi beneficiado pela desvalorização do real frente ao dólar (em média 18,5% ante 1T13) que elevou os preços médios em reais na ordem de 11,5%, compensando a queda de volumes em 11,1%, seguindo a estratégia da empresa em retirar volumes de regiões com baixas margens. Apesar de receitas flat e da queda da melhora de margem bruta, o aumento dos gastos com marketing e trade marketing, e as despesas com o plano de reestruturação afetaram o resultado operacional, que se mostrou mais fraco e com deterioração de margem.
Na ponta positiva, podemos destacar: (i) trabalho de otimização de capital de giro parece estar dando resultado com a melhora do ciclo financeiro de 58 dias para 41,8 dias (11% da receita líquida); (ii) a geração de fluxo de caixa livre (EBITDA – Variação do Ciclo Financeiro – Capex) no 1T14 alcançou R$ 1,1bilhão contra os R$ 578,2 milhões gerados no 4T13 e R$ 518,2 milhões no 3T13; (iii) otimização de sua estrutura organizacional com a  simplificação da estrutura e eliminação de uma vice-presidência, que passou a contar com três diretorias e acarretou na redução de cinco para  três os níveis hierárquicos entre os cargos de base das fábricas e o topo da organização.
Outro ponto positivo é que a companhia segue focando seus esforços para reduzir seu portfólio global com o objetivo de focar nos itens de maiores margens, para ampliar a rentabilidade o que acreditamos que tende a surtir efeitos no longo prazo.
Para o conference acreditamos ser interessante ter uma visão acerca dos seguintes pontos: (i) sustentabilidade dos números de ciclo financeiro e geração de caixa operacional; (ii) como tem avançado o processo de racionalização de portfólio que visa retirar 40% do total de SKUs de produtos processados do mercado interno até o final do 2T14; (iii) avanço na possível negociação de lácteos.