Dois dados divulgados nesta quarta-feira nos Estados Unidos mostram um crescimento modesto em áreas fundamentais da economia: a atividade do segmento de serviços e as contratações no setor privado do país. A criação mais suave de emprego durante a primavera [no hemisfério norte] é reflexo dos cortes de gastos e do aumento de impostos instituídos pelo governo americano este ano e, se depender dos números de hoje, o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) não deve desacelerar o programa de compra de bônus na próxima reunião, marcada para os dias 18 e 19 de junho.
Pela manhã, a processadora de folhas de pagamento ADP informou que o setor privado dos EUA criou, em termos líquidos, 135 mil postos de trabalho em maio. O resultado veio abaixo da previsão dos analistas, que era de geração de 170 mil vagas. A maior parte dos novos empregos veio do setor de serviços, que acrescentou 138 mil vagas no mês, enquanto as contratações na indústria caíram de novo. Dessa vez houve perda de 6 mil vagas. O relatório da ADP costuma servir de termômetro para o levantamento feito pelo governo, que inclui a criação de vagas nos setores público e privado, o chamado payroll. O payroll será divulgado nesta sexta-feira (7).
Os indicadores referentes ao mercado de trabalho são bastante acompanhados pelos investidores porque eles, juntamente com outros dados relevantes, servem de base para as decisões de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central americano).
Entretanto, se depender dos números de hoje, o banco central do país não deve começar a retirar estímulos no curto prazo, já que a atividade do segmento de serviços também não apresentou um avanço expressivo.
O índice dos gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) para o setor de serviços, medido pelo Instituto para a Gestão da Oferta (ISM), subiu de 53,1 pontos em abril para 53,7 pontos em maio. A previsão de analistas era de 53,5. O resultado do subíndice de emprego, que caiu de 52 para 50,1 pontos entre os dois meses, chamou atenção. Foi o pior resultado desde julho de 2012.
A fraca contratação reflete incerteza dos empresários sobre o cenário econômico no longo prazo.
Além disso, estamos vendo uma relação entre os dois indicadores. Se examinarmos a relação entre o subíndice de emprego do PMI de serviços e as contratações no setor privado nos últimos 15 anos, uma leitura de 50,1 pontos sugere que o crescimento do número de vagas do setor privado ficou logo abaixo de 100 mil.